FONTE: JORNAL DA TARDE - 30/04/2001  
 
Falha no air bag do Palio Weekend já causou cinco vítimas

Equipamento de segurança, que só deve funcionar em caso de acidente, estaria estourando sem motivo. A empresa informa que as falhas foram provocadas por razões diferentes

Os air bags do modelo Palio Weekend da Fiat estão estourando sem motivo.

Pelo menos é o que aconteceu com cinco veículos. As vítimas afirmam que a bolsa de ar, que deveria proteger em caso de batida, inflou sem motivo. Com o estouro do air bag, os passageiros tiveram escoriações e queimaduras no rosto. A Fiat diz que investiga os casos.

Umas das vítimas foi Marta Bezerra, de Itabuna (BA). Em 30 de março, o air bag de seu carro, fabricado em 99, estourou quando ela estava saindo de um supermercado. Segundo Alberto Bezerra, marido de Marta, o carro "não estava nem em movimento". "Ela virou a chave no contato e o air bag explodiu."

Alberto afirma que a bolsa de ar não chegou a inflar. "Os gases que fazem o air bag se encher vazaram." Com isso, diz ele, o rosto de Marta ficou queimado. A perícia comprovou que oxidações na caixa que protege o air bag criaram um curto-circuito, que originou na explosão dos gases. Segundo Alberto, a Fiat foi contatada. "Eles mandaram dois engenheiros que levaram as peças, como o volante, para análise."

A Fiat informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que se for responsável pelo acidente não vai fugir das responsabilidades. No entanto, diz que existem várias hipóteses para o acidente, ou seja, pode ter sido um curto-circuito causado por um alarme ou um rádio mal instalado e que não sejam de fábrica.

Outro caso que coloca a qualidade do air bag em dúvida é o da gaúcha Cláudia Endres, 31 anos. O acidente, que aconteceu em Porto Alegre (RS), deixou Cláudia dentro de casa durante um ano. Segundo ela, o air bag de seu Palio Weekend, fabricado em 97, inflou quando fazia uma curva a uma velocidade de 30 km/h.

Cláudia teve o rosto queimado e machucado devido ao forte impacto da explosão. "Foi horrível. Uma sensação indescritível." Ela levou o carro em uma concessionária para que o conserto fosse efetuado. Lá, Cláudia foi informada que só teria o carro consertado se não fosse feita uma perícia.

Ela concordou com a condição, mas logo depois do ocorrido procurou a advogada Luciana Martinez, que foi pesquisar sobre o assunto. "Especialistas me disseram que a água do ar-condicionado cai em cima do sistema elétrico do air bag. Isso fez entrar em curto-circuito e explodir. Vamos pedir indenização." A Fiat diz que não foi procurada e informada sobre o assunto.

Além deste caso, há também o de Belle Annie Ferreira de Lima, 35 anos, que também tinha um Palio Wekeend 97. No caso dela o air bag não funcionou. "Eu bati o carro e o air bag não funcionou." Segundo ela, além de o air bag não inflar, gases vazaram queimando-lhe o rosto. "Tive queimaduras de 2.º grau."

Belle afirma que levou o veículo na concessionária e lá disseram que o air bag tinha funcionado.

A Fiat, no entanto, diz que o caso não foi assim. A empresa disse que a concessionária fez uma perícia e foi constatado que o air bag tinha inflado.

A montadora italiana diz que o air bag infla e desinfla tão rápido que Belle não percebeu. O tempo, diz a empresa, é de 50 milésimos de segundo. E que não há evidências de que o air bag não tenha funcionado. A pendência está na Justiça.

Com estes casos sendo divulgados surgiram mais dois no Rio. Para Jaílton de Jesus, presidente da Associação Nacional das Vítimas de Montadoras e Concessionárias Automobilística (Avemca), estes veículos podem estar com defeito de fabricação. "Se somarmos cada caso individual chegaremos a um coletivo de pessoas que tiveram estes problemas."

 Carlos Sambrana


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