Uma palavra em inglês está se
tornando muito freqüente nas
conversas dos brasileiros. Mesmo
para os que desconhecem o
significado exato do termo recall.
Poucas pessoas estão
familiarizados com o significado
da palavra "recall", que
vem do inglês e pode ser
traduzida como chamamento.
"Quando uma empresa fabrica
alguma coisa com defeito e chama
os consumidores para trocar as peças",
explica o professor Leonardo Vila
Verde.
Os casos mais comuns são os da
indústria automobilística. Todas
as grandes montadoras já fizeram
recall.
Audi, Chrysler, Fiat, Ford,
General Motors, Honda, Mitsubishi,
Peugeot, Renault, Toyota e
Volkswagem. No ano passado, foram
quase 20 casos de recall. Este
ano, até agora, passaram dos dez.
"Se é recall é porque está
havendo algum tipo de preocupação
com a possibilidade de se evitar
danos mais graves. O que é
preciso é verificar se o recall
está acontecendo no momento
adequado e na forma como deveria
ser", diz Amanda de Oliveira,
diretora do Departamento de Proteção
e Defesa do Consumidor.
Esta preocupação fez o Ministério
da Justiça baixar, em 2001, uma
portaria que determina que as
empresas devem detalhar o defeito
e os riscos que o produto
apresenta; informar as medidas
adotadas para resolver o defeito;
apresentar às autoridades e aos
procons relatórios sobre o
andamento do recall; e ficam
obrigadas a reparar ou substituir
o produto mesmo quando o recall
for encerrado.
A regulamentação do recall pelo
Ministério da Justiça foi um
passo importante para melhorar as
relações entre as empresas e
seus clientes. E os consumidores
começam a perceber que esta prática
não se limita a automóveis.
Nos últimos três anos, já foram
registrados nove casos de recall
pela indústria farmacêutica.
Empresas de eletrodomésticos também
já chamaram clientes para a troca
de peças.
A biografia de Charles Darwin,
"A Vida de um Evolucionista
Atormentado" foi tirada de
circulação. Tinha 2 mil erros em
700 páginas.
"Trocamos o livro, tivemos um
prejuízo e ganhamos
credibilidade", acredita o
diretor da editora Luiz Fernando
Emediato.
A atriz Sheila Matos tem vários
biquínis. No ano passado teve que
trocar um deles, porque a estampa
manchava quando era molhada. A
empresa que produziu o biquíni
percebeu o problema e ordenou o
recall
"Mandamos uma carta para
todos os clientes, 51 mil que
temos cadastrados, avisando que se
manchasse eles poderiam se dirigir
a qualquer uma das lojas e efetuar
a troca", conta o dono da
empresa.
"Eles erraram, admitiram o
erro e não me deixaram com prejuízo,
um exemplo positivo", diz a
atriz Sheila Matos.
|